A Espanha garantiu sua primeira final de Copa do Mundo desde que conquistou o título em 2010 ao vencer a França por dois a zero nesta terça-feira, no Texas. A vitória, com gols de Mikel Oyarzabal e Pedro Porro, eliminou a França da competição e consolidou a superioridade tática espanhola, que controlou o adversário do início ao fim.

Desde o apito inicial, os espanhóis envolveram a França com uma pressão sufocante, controlando a posse de bola e esgotando as forças de um ataque francês que parecia imbatível ao longo de todo o torneio.

“É um sonho que se tornou realidade… para ser sincero, eu nunca imaginei nada parecido com isso, nem mesmo nos meus sonhos mais loucos”, disse Porro. “Fizemos tudo certo – tudo o que precisávamos fazer – contra uma equipe que estava tendo uma Copa do Mundo brilhante.”

A Espanha agora está a uma vitória de ser tanto a atual campeã europeia quanto a atual campeã mundial. Ela saberá quem será sua adversária na final nesta quarta-feira, quando a Inglaterra enfrentar a Argentina em Atlanta por uma vaga na grande decisão de domingo.

A França precisa se preparar para uma partida anticlimática pelo terceiro lugar, após uma derrota pesada no Dia da Bastilha.

Por que a frança falhou na semifinal?

“Os jogadores estão arrasados, mas precisamos manter a cabeça fria: tecnicamente, fomos inferiores”, disse o técnico Didier Deschamps. “A culpa é nossa. Nos faltou precisão técnica e energia. Os espanhóis são muito bons em interromper jogadas, lendo as interceptações e os passes. Gostaríamos de ter causado mais problemas a eles no ataque.”

Para um país que passou gerações esperando por sua primeira Copa do Mundo, um segundo título 16 anos depois anunciaria a chegada de mais uma era de ouro espanhola, desta vez construída em torno de Lamine Yamal e de uma equipe tão sem piedade quanto à vontade com a bola nos pés.

A expectativa e a tensão estavam altas em Arlington quando o locutor Bruce Buffer, um homem que nunca falou baixo de propósito, anunciou as equipes entrando em campo para dar início a um confronto de pesos pesados digno dessa introdução. Uma partida que prometia tanto, no entanto, rapidamente se transformou em um confronto desigual, com os espanhóis controlando tanto o ritmo quanto a posse de bola de forma abrangente, o que deixou a França correndo atrás de sombras.

Domínio tático e ataque letal

A França havia chegado munida do ataque mais letal do futebol mundial, mas isso fez pouca diferença. A Espanha monopolizou a bola, fechou os espaços e privou os Bleus da principal coisa de que seus atacantes precisavam — a posse.

“Um dos fatores-chave que nos levou à final foi manter a posse de bola”, disse Porro. “É uma vitória para uma equipe incrível, um grupo de jogadores espetaculares — uma vitória para todos os 26 jogadores.”

Incrivelmente para uma seleção nacional, os espanhóis jogaram como os clubes mais bem treinados, com movimentos e passes quase telepáticos. A França ficou reduzida a espectadora quase desde o início e conseguiu apenas dois chutes ao gol.

A Espanha levou 22 minutos para abrir o placar. Marc Cucurella cruzou com profundidade para a área francesa, onde o lateral esquerdo Lucas Digne dominou com o peito, mas, quando tentou afastar a bola, Yamal se colocou na sua frente e foi atingido pelo movimento. O árbitro não hesitou em marcar pênalti.

Oyarzabal cobrou com força por cima, sem chances para Mike Maignan, apesar de o goleiro ter caído no lado certo. A França ainda não havia estado em desvantagem nesta Copa do Mundo, e a pausa para hidratação não poderia ter vindo em melhor hora para Didier Deschamps, dando a ele uma oportunidade imediata de acalmar sua equipe abalada.

Mesmo assim, a França não conseguiu encontrar espaço para seu futebol fluido e poderia ter ficado em desvantagem ainda maior 15 minutos depois, quando Fabián Ruiz foi frustrado por uma entrada de última hora de Dayot Upamecano, com o gol à sua mercê.

Tão potente contra todas as outras seleções, a França foi neutralizada. Michael Olise foi praticamente um espectador, marcado de perto por Cucurella. Ousmane Dembélé pouco contribuiu e até mesmo seu capitão e estrela, Kylian Mbappé, foi incapaz de fazer mágica.

A Espanha apertou ainda mais o cerco pouco antes dos 15 minutos do segundo tempo, quando Porro ampliou a vantagem, trocando passes com calma com Dani Olmo antes de chutar de chapa para deixar a França à beira do abismo. Não houve trégua para os franceses, cada vez mais desesperados, e a formidável seleção espanhola ergueu os braços e os olhos para o céu quando ouviu o apito final.