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Parceria de US$ 4 bi entre Embraer e sueca Saab inaugura era de caças supersônicos fabricados no país

A unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, viveu dias de festa em março. O país concluiu a montagem da primeira aeronave supersônica brasileira, fruto de colaboração estratégica entre a sueca Saab e a Embraer, o caça F-39 Gripen.

A aeronave foi apresentada no dia 25, e, tamanha a relevância contratual para a Pasta da Defesa, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve entre os presentes – embora não tenha conversado com jornalistas ou se pronunciado publicamente. Com este passo, o Brasil entra oficialmente na seleta lista de países que produzem caças supersônicos, ao lado de potências como Estados Unidos, França, Rússia, Índia, China, Alemanha e Suécia.

Até o momento, a Força Aérea Brasileira (FAB) operava unidades do F-39E Gripen, porém eram aeronaves importadas, com fabricação integral a cargo da Saab. Agora, o caça de última geração, capaz de atingir 2.500 quilômetros por hora, passa a ter o Brasil como um polo de produção, seguindo o programa de modernização da FAB.

O contrato com a empresa sueca, firmado em 2014, prevê a entrega de 36 aeronaves por US$ 4 bilhões, sendo 28 delas do modelo Gripen E (monoposto) e 8 do Gripen F (biposto). No total, doze unidades estão em solo brasileiro, sendo que as onze primeiras foram fabricadas e montadas na Suécia, e a 12ª foi a apresentada no dia 25 – e inaugura a linha de montagem local. Outras quinze aeronaves serão produzidas pela Embraer em território brasileiro.

As instalações da Embraer em Gavião Peixoto produzirão os caças utilizando uma cadeia de suprimentos nacional e internacional, incluindo aeroestruturas fabricadas na unidade da Saab em São Bernardo do Campo, em São Paulo.

O projeto consolida o Brasil como polo tecnológico, garantindo domínio sobre etapas estratégicas de produção de caças de alta tecnologia. A produção local envolve mais de 300 engenheiros brasileiros treinados na Suécia, balizando a criação de mais de dois mil empregos diretos na frente de produção e outros dez mil postos de trabalho indiretos.

A cooperação entre a Saab e a companhia brasileira estende-se por mais de uma década, com o início das tratativas em meados de 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff. À época, a empresa sueca venceu uma disputa acirrada contra a norte-americana Boeing e a francesa Dassault para o fornecimento dos caças que devem substituir os antigos F-5, aeronaves de origem americana que integravam a frota de defesa da FAB.

“A apresentação do primeiro Gripen produzido no Brasil representa mais um marco relevante na colaboração estratégica entre Brasil e Suécia. Temos plena confiança de que essa parceria gera valor para ambos os países e possui grande potencial para abrir novas oportunidades de negócios”, disse Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

Além de Lula, o evento teve a participação da embaixadora da Suécia no Brasil, Karin Wallensteen; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho; o comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno; e executivos como Micael Johansson, presidente e CEO da Saab, Francisco Gomes Neto, CEO da Embraer.

Ficha técnica

O F-39E Gripen é uma plataforma de combate de vanguarda. Entre suas especificações técnicas, destacam-se o míssil Meteor, da MBDA System, de origem europeia (um dos mais letais do mundo) e com longo alcance para alvos além do alcance visual, e o míssil WVR IRIS-T, o mais avançado de sua classe para alcance visual.

A aeronave possui alerta de aproximação de mísseis, cobertura de 360 graus por sensores ativos e passivos para consciência situacional, e alerta de radar capaz de confirmar a localização de sinais emitidos do solo ou mar. Seu sistema de guerra confunde radares inimigos através de múltiplos sinais fantasmas e ataques eletrônicos saturantes. Em novembro de 2025, a FAB realizou o primeiro lançamento do míssil, como teste.

A tecnologia embarcada inclui ainda datalink com fusão de dados em tempo real, apoio aéreo aproximado assistido por equipes em solo, tecnologia geradora de alvos falsos e sistema de identificação amigo/inimigo.

Com autonomia de até duas horas e meia de voo e sistema de reabastecimento em pleno ar, o caça atinge a velocidade Mach 2 (duas vezes a velocidade do som, ou 2.500 quilômetros por hora). Em velocidade máxima, o trajeto entre São Paulo e Boa Vista, em Roraima, é percorrido em cerca de 1 hora e 40 minutos. Em 24 de fevereiro, o caça foi empregado pela primeira vez em missão de Alerta de Defesa Aérea na Base Aérea de Anápolis, em Goiás.